Eram 16h10, quando, na varanda, em pé eu estava, olhando para o céu em busca de algum sinal, de algo que me fizesse voltar a crer que ainda há uma saída. Que ainda existem pessoas pelas quais valem a pena lutar, amar... O vento incessante e não tão forte, mas não fraco, soprava em meu rosto. Meus olhos lacrimejavam, mas não era por conta do incômodo que a brisa causara em meus olhos, mas por sonhos, lembranças, objetivos não alcançados, barreiras não vencidas, medos ainda existentes, contas pendentes, amor excessivo, coração duro, saudades, ciúmes...
Por tudo, ou por nada. Ou por uma mescla de tudo o que foi dito. E nada! O vento tornou-se ainda mais forte, causando-me um calafrio em todo o corpo. E então, uma lágrima caiu. Uma, duas, três, quatro... E de repente, do nada, como um gesto carinhoso não esperado, o vento deu seu último sopro. Ele secou tanto o meu rosto, banhado por lágrimas, e os meus olhos, forçando-me a piscar, indignada pelo que acabara de acontecer. E quer saber? Era Deus, creio eu. Dizendo-me para não chorar. Dando-me o tão esperado sinal. O sinal de que NADA é por acaso, e de que ainda vale a pena ter esperança.
Marina Meneghetti
(hoje não tem foto)



